Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘barbeiragens’

ônibus x moto: batalha desigual

Ônibus atrasa a vida até quando se está fora dele. Constatei isso em mais de uma ocasião: uma no banco do carona, quando acompanhava minha namorada no carro dela: os ônibus ocupando uma faixa e meia de circulação, deixando qualquer passeio um verdadeiro perigo.  Depois, quando já habilitado comecei a ir pra tudo quanto é canto da cidade de moto: indo pela rua 13 de Maio, um desses ônibus articulados, com pelo menos uns 22 metros de comprimento e uns vários a menos de largura, porém não muito menor, estaciona de súbito, pra pegar passageiros. Eu ia todo pimpão e serelepe em minha motoquinha. Inexperiente ao extremo com o guidão, não consegui ter o reflexo para mudar de faixa. Sim, eu ia pela direita nessa época e tudo o que pude fazer foi meter o pé no freio e mais uma puxada de leve no freio dianteiro e parar a danada atrás daquele monstrengo poluidor e ocupador de espaço.

E dá-lhe a esperar… e esperar… E finalmente o bruto sai do ponto, toma de novo a faixa do meio. Aproveito e sigo, na direita. Essa paradinha me rendeu uma perda de tempo pequena, mas que fez uma diferença danada pra me atrasar para o trabalho.

Já a terceira vez que me aconteceu do ônibus atrasar a minha vida foi na terça-feira, dia 2 de março. Desta vez na Rua Quatorze de Julho, que é mão dupla no final de sua numeração no sentido sul-norte. Para piorar, era noite, ali pelas 18h20. Tenho algumas pequenas limitações que me tornam um cauteloso no trânsito desde que comecei a tirar habilitação para carro, há dois anos e moto, no ano passado. Ambos os projetos concluídos, mas o agente complicador de minha vida no Detran e no trânsito era a soma de minha miopia e visão monocular com o fato de eu ter uma tremenda dificuldade de enxergar durante à noite. É olhar no retrovisor e não ver nada além de ofuscamentos… E na pista, nada além de ver uma coisa só: um tapete preto, sem ter como distinguir tampas de bueiro ou buracos à frente.

Nesta terça eu ia de casa até uma escola preparatória para concursos. No caminho eu ia obrigatoriamente passar pela Quatorze de Julho. Sigo nela, contorno a primeira rotatória, faço uma curva à direita, na saída e dou de cara com um dito ônibus, paradão no ponto. Desta vez o reflexo existe: ligo a seta esquerda, olho o retrovisor, abro a ultrapasagem, passo ao lado do busão, desligo a seta, ligo-a para a direita e sigo meu caminho. Até aí tudo bem…

Até que me lembro de uma cretinice feita dias atrás: uma pequena secção do asfalto foi quebrado e ficou um buraco, vala ou degrau, como queira, na rua. Se passasse por ele na velocidade que vinha – cerca de 40~50km/h, era um tombo na certa. Ou no mínimo, um bom estrago na suspensão…

Reduzo bem a velocidade para passar naquela valeta e me surgem dois pares de faróis no retrovisor. Era o ônibus… Acelerando, fazendo barulho, motor roncando alto. Passo da valeta, começo a acelerar e o busão ali, me “apertando”, pra eu acelerar mais e mais… me mantenho mais à direita, pra deixá-lo passar, mas ele não quer. Quer é que eu corra dele. Percebo que o ônibus está a pouco mais de um metro de distância… uma nova rotatória à frente, o ônibus acelera mais e não tenho escolha: vou totalmente pra direita e encosto no meio fio. O ônibus, na pessoa de seu digníssimo boçal motorista ainda me “fecha”, passando como se a curva que deveria ter contornado fosse uma reta…

E se acontecesse um acidente por causa deste cidadão irresponsável? Sabe o que iam dizer, ele e a imprensa, ao noticiar o asfalto sujo de sangue, gasolina e pedaços de gente e plástico?

“A culpa é do motoqueiro”,  “apareceu do nada…”, “ele tava correndo muito…”. Hum, sei… E o motorista do ônibus? Será mesmo que era necessário correr tanto assim? Por que ele não me ultrapassou, se eu estava deixando espaço pra isso?

Nessa história, não sei o que é o pior: se é o fato de uma criatura dessas ter direito à habilitação para dirigir um veículo de transporte coletivo ou se é um sujeito desses achar que só por que está num veículo grande, é o dono da rua e determina a velocidade que os demais vão andar, mesmo onde há placas sinalizando máxima de 40km/h.

Mais ainda há algo muito pior: esse cara tem título de eleitor e vota… isso é que é preocupante….

Outra visão do desenho, também com arte deste redator

Anúncios

Read Full Post »