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Archive for 21 de agosto de 2009

Foto: Marcelo Assumpção - Revista Duas Rodas

Você já deve ter visto por aí, no comércio popular da sua cidade ou até em shoppings destinados às classes A e B produtos que aparentemente ostentavam marcas ou design conhecidos, mas oferecidos a preços muito mais do que tentadores. Muito possivelmente, esses produtos eram réplicas, cópias ou, para ser mais direto, piratas.

Nesse mercado “de mentirinha”, encontra-se de tudo: canivetes ou relógios suíços, eletrônicos desejados como iPod e iPhone, tênis e roupas de marcas mundialmente famosas… mas todas cópias bem ou mal-feitas esteticamente e com qualidade e durabilidade só conhecida após se assumir o risco da compra.

Mas… o amigo leitor sabia que existem motos piratas? Pois é… vi isso num texto da revista Duas Rodas, especializada em motos e que transcrevo aqui (copiei a matéria, mas citei a fonte. Espero não me enquadrar como pirata…).

E antes de começar a leitura: a China, maior mercado de produção de réplicas, cópias e outros nomes que se deem, é curiosa pelo fato de que lá, existem fabricantes e montadores de motos aos milhares, produzindo motocas muito parecidas —e por que não dizer, gêmeas— à modelos de marca mundial, mas ostentando marcas das quais nós, meros ocidentais, nunca ouvimos falar.

A Honda, uma das maiores fabricantes de moto, passou e passa apuros com isso lá no mundo vermelho. Aquela que conhecemos como Biz, sua motoneta mais vendida aqui no Brasil, também é vendida na China. Mas os clones da motoquinha proliferaram tanto que era impossível para a Honda processar tantas firmas por quebra de patente. A solução foi buscar acordos amigáveis para, se não resolver, pelo menos amenizar o problema. Esta passagem eu li no livro “Um brasileiro na China”, de Gilberto Scofield Jr, editado pela Globo. O sujeito viveu um temp por lá e fez um relato denso —e tenso— de como é a sociedade mandarin. Tem de tudo: superstições, modo de vida… pirataria… Vale a pena ler. Com sorte, você pode encontar o livro por meros R$ 10,00 em lojas como as Americanas ou pela internet, pesquisando no Buscapé.

Boa leitura!

La Garantia Soy Yo – Cópias de Honda são vendidas no Paraguai

(Texto e fotos de Marcelo Assumpção. In: http://www.revistaduasrodas.com.br/noticias/imprimir.asp?id=437)

As ruas paraguaias estão inundadas de motos chinesas que custam a partir de R$ 1,6 mil e, pasme, são cópias fiéis das Honda

Texto e fotos: Marcelo Assumpção
O passeio estava interessante e as compras do outro lado da fronteira mais ainda. Nas ruas paraguaias não via mais motos brasileiras com as suspeitas placas locais, mas uma enxurrada de nomes como Leopard, Kenton e Star. Todas chinesas montadas na capital Assunção. E o mais impressionante: um catálogo formado por cópias chinesas de CG, Biz e Bros, último sucesso paraguaio. As cópias são tão cópias que o painel tem até o sistema de bloqueio batizado pela Honda de “shutter key”, com uma chave sextavada.

Que tal uma Leopard HT 150 “modelo CG” com partida elétrica, freio dianteiro a disco e alarme por R$ 2.370? Se preferir a versão Sports (com um “s” a mais mesmo) leva também rodas de liga leve, piscas com lentes transparentes, conta-giros e tampa lateral prata. “Tudo em até 24 vezes e com garantia de 2.000 km”, oferece Ramón, que caminha com uma máquina de calcular para converter o preço de guaranis para reais. Só falta explicar que o financiamento é direto ao consumidor, não aliena a moto (que é paga à vista com o empréstimo) e não recebe a usada como parte do pagamento, com taxa de 12% ao mês! A revisão dentro do prazo de garantia é feita por um “mecânico autorizado”, diz o vendedor, porque a loja não vende peças.

Dax 100 é idêntica à Biz

Dax 100 é idêntica à Biz

Tudo bem, se a Leopard não passou confiança vamos mudar de loja. Afinal, dois quarteirões adiante outra revenda está abarrotada de opções. As Star Dax e Dax+ tem tanto da Biz que já conseguiram até o fãs. Animam muitos brasileiros a cruzarem a fronteira para ter no Brasil uma Biz que custou menos de R$ 2.000. É só escolher se prefere o antigo modelo 100 ou a Dax+ 125. “Nas cidades brasileiras próximas da fronteira com o Paraguai é possível rodar com elas, até com placa paraguaia, sem maiores problemas. Aqui no Paraguai o imposto é de R$ 25 por ano, mas ninguém paga ou usa placa verdadeira porque a polícia não exige”, conta o revendedor.

Mas para o paraguaio que gosta de um off-road nada disso interessa. Também não importa se ele torce pelo Olimpia ou o Cerro Porteño, porque provavelmente o sonho de consumo dele é tricolor, a imponente Shark 150 (leia-se Bros). A “criação” da Kenton mistura cinza, preto e amarelo. “Achou as cores feias?”, perguntou Juan. E antes que tivesse chance de responder se o problema era a cor, a moto ou “la garantia”, emendou: “Então, o que acha do modelo Yes e da CG bicolor?”. Cruzei a fronteira de volta sem remorso, mas percebi que naquela bagunça existe um sentido: o comprador sabe que paga barato por um produto descartável. Ninguém tenta convencê-lo do contrário. Por incrível que pareça, quem compra uma “quase” Honda não está levando gato por lebre.

O sistema de bloqueio batizado pela Honda de "shutter key" também foi copiado

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